5.7 Engenharia de prompt para interfaces agênticas
A proposta é sair do pedido isolado, como "resuma este contrato", para uma delegação delimitada: localizar as entradas permitidas, comparar, conferir, preparar a entrega e interromper quando faltar informação ou autorização.
Esta seção apresenta material complementar do autor, adaptado para o curso. Não corresponde a páginas de uma nova edição publicada. As técnicas são referências didáticas, com as ressalvas de implementação abaixo.
Da resposta ao trabalho verificável
A Anthropic distingue workflows, com caminhos predefinidos, de agentes, nos quais o modelo dirige dinamicamente o processo e o uso de ferramentas. Recomenda começar com a solução mais simples, porque autonomia adicional pode aumentar custo, latência e propagação de erros.[27]
No curso, usar esta escada de decisão:
- Se uma pergunta e um documento resolvem, usar conversa.
- Se há etapas conhecidas, encadear pedidos e conferir as passagens.
- Se é útil delegar uma tarefa de várias etapas, experimentar Cowork com entradas e limites definidos.
- Se a tarefa se repete e os testes sustentam seu uso, avaliar um procedimento reutilizável ou Skill.
Chamar o prompt de "código-fonte semântico" é uma metáfora útil para mostrar que ele descreve objetivo, decisões e condições de parada. Não significa código executável, cumprimento determinístico, criação de ferramentas ou substituição de políticas da plataforma.
O contrato de delegação
O método de oito campos da aula 1 continua válido. Em uma tarefa agêntica, explicitar também:
| Campo | Pergunta de conferência | Exemplo do laboratório |
|---|---|---|
| Resultado | O que precisa existir ao final? | Quadro comparativo e rascunho revisável |
| Entradas e alcance | Quais arquivos e versões podem ser usados? | Somente os dois trechos fictícios A e B |
| Autonomia | O que pode ser feito sem nova confirmação? | Ler as cópias, comparar e conferir trechos |
| Ferramentas | O que é necessário e o que fica fora? | Leitura de arquivo; sem web, e-mail ou assinatura |
| Decisões | Quando avançar, corrigir ou pedir ajuda? | Pedir B se ausente; não completar uma cláusula ilegível |
| Orçamento | Qual esforço adicional ainda vale a pena? | Uma releitura alternativa por arquivo e uma rodada de correção |
| Aprovação | Onde a pessoa precisa intervir? | Antes de criar os arquivos finais do laboratório |
| Verificação | Como distinguir execução de mera afirmação? | Abrir a saída, comparar com as fontes e conferir o nome do arquivo |
| Parada | Como encerrar sucesso e bloqueio? | Entrega conferida ou relato do impedimento e do que falta |
São regras propostas para o exercício, não configurações já aplicadas na VNP. No Cowork, o usuário deve verificar quais controles realmente estão disponíveis. Um pedido para limitar tentativas não configura, por si só, um bloqueio técnico nem um teto de cobrança.
Três controles que não devem ser confundidos
| Camada | Exemplo | O que comprova e o que não comprova |
|---|---|---|
| Heurística de decisão | Se a busca não trouxe evidência nova, reformular uma vez e reconsiderar | Orienta uma escolha plausível; pode escolher mal |
| Verificação objetiva | Contar linhas, conferir nomes de arquivos ou comparar valores na fonte | Verifica um critério definido; ter quatro linhas não comprova que estão corretas |
| Controle efetivo | Restringir acesso, bloquear envio, exigir aprovação na aplicação | Limita ações conforme a configuração real; não nasce de uma frase no prompt |
Pedir "menos de 500 palavras e uma tabela" define critérios de formato. Uma ferramenta pode verificá-los de maneira determinística, mas isso não avalia fidelidade, validade jurídica ou completude. Uma segunda IA também pode errar; o papel de avaliador não garante independência. A ideia de Reflection, ou reflexão, citada pelo autor é aplicada aqui como conferência e correção delimitadas, não como um framework específico instalado. O padrão avaliador-otimizador é mais útil quando há critérios claros e a revisão melhora algo mensurável.[27]
5.8 Heurísticas para orientar o trabalho, não para dispensar controle
As quatro aplicações propostas pelo autor são detalhadas abaixo. Os limites numéricos são escolhas de laboratório, não valores universalmente melhores nem recursos automaticamente configurados no produto.
| ID | Aplicação | Regra prática para a VNP | Falha a observar | Controle complementar |
|---|---|---|---|---|
| H01 | Roteamento de tarefas e seleção de ferramentas | Para comparar A e B, começar pelos arquivos fornecidos; para pesquisa atual, fonte oficial; para cálculo autorizado, ferramenta de cálculo | Buscar na web para preencher um fato contratual ausente ou escolher ferramenta só por uma palavra-chave | Confirmar objetivo, fonte e permissão antes da ação; usar a alternativa mais simples |
| H02 | Parada e controle de custos | Não repetir indefinidamente uma ação sem evidência nova; no kit, recuperação de leitura limitada à tentativa inicial e uma alternativa por arquivo, mais uma correção da tabela | Repetir a mesma chamada, continuar depois de bloqueio ou gerar alternativas sem necessidade | Supervisão humana e limites reais da aplicação, se disponíveis; registrar o esforço observado |
| H03 | Avaliação, crítica e autocorreção | Conferir cada tema contra A e B; corrigir discrepância localizada; se persistir, pedir revisão | Aceitar tabela bonita, autoaprovação ou concordância de duas respostas como prova | Checagem de formato separada da conferência documental e da aprovação profissional |
| H04 | Filtragem e priorização de memória | Levar à próxima etapa objetivo, versões, fatos com origem, decisões aprovadas e pendências | Misturar clientes, usar a versão mais recente mas não aprovada ou perder uma restrição | Ficha revisada, escopo e permissão; originais preservados e recuperáveis |
O roteamento pode usar classificação por modelo, regras ou algoritmos, não precisa se limitar a palavras-chave. A escolha depende de categorias suficientemente claras e de ferramentas bem descritas.[27]
Na discussão, considere os exemplos: "três tentativas sem mudança", "plano com mais de dez passos" e "até cinco buscas". Perguntar o que conta como tentativa, passo, repetição e progresso. Um plano com dez títulos pode esconder muitas chamadas; uma única ação irreversível já pode exigir parada. Não permitir que o contador autorize uma ação que já era proibida.
Definição operacional de progresso e interrupção
No laboratório, progresso significa obter uma entrada legível, resolver uma discrepância com fonte ou verificar um artefato, não apenas produzir mais texto.
- Arquivo ausente, versão ambígua ou permissão insuficiente: pedir o necessário imediatamente; não gastar o orçamento tentando adivinhar.
- Arquivo existente, mas leitura incompleta: permitir uma segunda tentativa com método disponível diferente. Se o trecho continuar ilegível, registrar o limite e pedir cópia legível.
- Divergência na tabela: corrigir uma vez com base no original e reconferir. Persistindo a divergência, entregar apenas o que estiver confirmado e marcar o trabalho como bloqueado ou parcial.
- Ação externa, novo acesso ou ampliação de escopo: interromper antes da ação, independentemente de quantas tentativas restam.
- Critérios atingidos: concluir; não pesquisar mais, criar novos arquivos ou propor ramificações sem necessidade.
No limite de leitura, contar a tentativa que falhou e a única alternativa para recuperar o texto, por arquivo, sem reiniciar esse orçamento. Reabrir um trecho já legível para conferência não é nova tentativa de recuperação. Assim, o limite não impede a validação posterior. Os limites referem-se às tentativas observáveis definidas na atividade, não ao número de operações internas do fornecedor. Quando a interface não expuser contadores ou custos por tarefa, registrar o que puder ser observado e marcar o restante como não disponível. Não transformar "duas tentativas" em promessa de um teto financeiro.
Memória: selecionar contexto não é apagar documentos
A engenharia de contexto trata também de ferramentas, histórico e resultados, além do texto do pedido. Recuperação sob demanda, sínteses e notas persistidas são estratégias de continuidade; sínteses excessivas podem perder informações importantes.[28]
Aplicação proposta: usar uma ficha de passagem, sem dados reais de clientes:
Prepare uma ficha de continuidade apenas do caso fictício em análise.
Registre objetivo, documentos e versões, fatos confirmados com cláusula,
pendências, decisões expressamente aprovadas e próxima ação permitida.
Inclua as restrições que continuam valendo e o motivo da última parada.
Não transforme sugestão em aprovação, não importe conteúdo de outro caso
nem substitua os originais. Mostre a ficha para conferência antes de reutilizá-la.
Critérios de seleção: pertinência à tarefa, origem verificável, versão aprovada, validade e permissão. Recência ajuda a escolher o que conferir, mas não prevalece automaticamente sobre autoridade ou aprovação. Deixar um trecho fora do contexto ativo não significa excluir o arquivo, alterar retenção ou garantir esquecimento.
5.9 Técnicas para descrever fluxos agênticos
O repertório reúne seis técnicas para consulta. Os exemplos estruturados são instruções textuais de trabalho, não programação a executar nem configuração da arquitetura interna do Claude.
| ID | Técnica | Aplicação didática | Limite importante |
|---|---|---|---|
| A01 | Pseudocódigo Semântico, Structured Prompting | Escrever SE, ENTÃO, SENÃO, PARA CADA e ENQUANTO com entradas, limites e saídas | Sintaxe não torna o procedimento determinístico; evitar laços sem limite |
| A02 | Arquitetura de Estados, State Machine Prompting | Nomear a etapa atual e os eventos que permitem avançar ou bloquear | Rótulo de estado no texto não implementa uma máquina de estados na aplicação |
| A03 | ReAct, Reasoning and Acting | Alternar próxima ação resumida, uso real de ferramenta, resultado observado e conferência | Pedir registro operacional, não transcrição de raciocínio interno |
| A04 | Árvore de Pensamentos Semântica, Tree of Thoughts | Comparar poucos caminhos por esforço, rastreabilidade e risco antes de escolher um | Uma lista de alternativas não implementa o algoritmo completo de pesquisa |
| A05 | Guardrails e Critérios de Parada, Halting Criteria | Delimitar dados, ações, tentativas, sucesso, bloqueio e passagem à pessoa | Texto complementa permissões e supervisão; não é barreira suficiente |
| A06 | Destilação de Papéis Dinâmicos, Dynamic Persona | Na coleta, conferir evidências; na síntese, redigir com clareza | Troca de perspectiva, não treinamento por destilação nem criação automática de vários agentes |
A01, pseudocódigo semântico mínimo
OBJETIVO: comparar os quatro temas dos Documentos A e B fictícios.
ENTRADAS: somente os arquivos explicitamente fornecidos pelo instrutor.
INICIAR com a lista de arquivos, versões e critérios de saída.
SE faltar uma versão ou houver dúvida sobre qual usar,
ENTÃO pedir esclarecimento e parar a comparação.
PARA CADA tema: preço, pagamento, rescisão e confidencialidade,
registrar o trecho de A, o trecho de B, a origem e a pendência.
SE houver falha de leitura, fazer no máximo uma tentativa alternativa;
SE persistir, indicar a limitação, sem completar o trecho por suposição.
ENQUANTO houver divergência corrigível, e ainda não tiver sido feita
uma rodada de correção, corrigir pela fonte e reconferir.
SE a divergência persistir, marcar o resultado como parcial e pedir revisão.
SENÃO apresentar a tabela e aguardar conferência humana.
Não enviar, assinar, excluir, mover originais ou ampliar acessos.
Variáveis de contexto aqui são campos a acompanhar, como versão escolhida, tema em análise e correção já usada. Não são memória infalível nem contadores reais da plataforma.
A02, estados e transições observáveis
| Estado | Entrada e ação permitida | Próximo estado e gatilho |
|---|---|---|
| PREPARAR | Confirmar arquivos, versões, escopo e um plano curto | ANALISAR se entradas completas; BLOQUEADO se faltar algo |
| ANALISAR | Ler e comparar somente as entradas permitidas | VALIDAR com quadro de achados e fontes |
| VALIDAR | Conferir temas, trechos e lacunas; uma correção no máximo | AGUARDAR com quadro conferível; BLOQUEADO se erro persistir |
| AGUARDAR | Mostrar tabela e proposta de nomes para as saídas | GERAR apenas após aprovação explícita dos arquivos locais |
| GERAR | Criar somente os novos arquivos autorizados e abrir para conferir | CONCLUÍDO se artefatos legíveis; BLOQUEADO se criação ou conferência falhar |
| CONCLUÍDO | Informar arquivos, alcance da verificação e pendências declaradas | Encerrar, sem novos desdobramentos automáticos |
| BLOQUEADO | Informar impedimento, trabalho confirmado e informação ou decisão necessária | Retomar somente após resposta humana pertinente |
Qualquer etapa passa a BLOQUEADO se precisar ultrapassar acesso ou ação permitidos. AGUARDAR é pausa de aprovação; CONCLUÍDO é término do escopo executado, nunca aprovação jurídica do conteúdo. Se não houver ferramenta de criação de arquivos, entregar a tabela no chat, indicar essa limitação e não declarar o pacote criado.
A03, exemplos de ação e observação sem exposição de pensamento privado
O estudo original ReAct intercala raciocínio textual, ações e observações do ambiente. Aqui, a adaptação retém a coordenação com ferramentas e o retorno verificável, não a reprodução de traços internos.[31] Para modelos atuais, a saída de thinking pode ser resumida e não corresponde ao raciocínio bruto; o curso pede somente uma justificativa curta e evidências.[25]
Os cartões a seguir são exemplos roteirizados, não logs de execução. O campo "próxima ação" é um resumo do que será feito, não a cadeia interna do modelo.
| Situação fictícia | Próxima ação resumida | Observação da ferramenta, se ocorrer | Resposta operacional esperada |
|---|---|---|---|
| A foi lido; B não foi fornecido | Conferir o inventário de entradas | Somente A consta na pasta autorizada | Pedir B; não afirmar que comparou as versões |
| B existe, mas a leitura falhou | Tentar uma forma de leitura alternativa disponível, sem ampliar acesso | A segunda tentativa continua sem texto legível | Parar; solicitar cópia legível e indicar o alcance parcial |
| A segunda leitura ficou legível | Retomar a comparação no trecho recuperado | Trecho e referência disponíveis | Conferir o achado na fonte antes de seguir |
| Tabela difere de B:3 | Reabrir o trecho permitido e corrigir o campo | O texto de B:3 sustenta 20 dias corridos | Corrigir, indicar a origem e reconferir sem inventar data final |
Few-shot: mostrar os dois caminhos da falha de leitura, recuperação e bloqueio, antes de um caso novo. O agente não deve copiar o resultado roteirizado como se fosse retorno de sua própria ferramenta. Se não houve chamada ou arquivo, deve dizer isso.
A04, árvore curta de alternativas
No trabalho de pesquisa, ToT combina geração e avaliação de estados com algoritmos de busca, incluindo exploração e retrocesso. A atividade abaixo é apenas uma árvore de alternativas inspirada em ToT, sem implementar o método nem importar seus ganhos experimentais.[32]
Antes de executar, proponha até três maneiras de organizar a revisão
fictícia: por documento, por tema ou por obrigação.
Para cada uma, dê uma frase sobre esforço, rastreabilidade e risco de omissão.
Descarte caminhos que dependam de acesso novo ou ação externa.
Recomende o caminho mais simples que cubra os quatro temas e peça aprovação
se a escolha alterar o escopo. Não execute os três caminhos por padrão.
No kit pequeno, a organização por tema é uma proposta editorial fácil de conferir, não a única resposta correta. Para uma extração simples, dispensar a árvore. Explorar alternativas só vale quando a decisão justifica o esforço adicional.
A05 e A06, controlar o laço e mudar o enfoque
Exemplo integrado: "Na leitura, confira cada evidência como um auditor; na redação, explique como um redator didático, mantendo os fatos e os limites. Se uma conclusão não tiver fonte, não melhore sua aparência: corrija ou sinalize a lacuna. Faça uma rodada de revisão e pare se o impedimento persistir."
A mudança de papel não concede autoridade jurídica, não cria um revisor independente e não autoriza remover uma ressalva para tornar o texto mais convincente.
5.10 Comunicação natural, sem exigir sintaxe de programação
As seis técnicas discursivas abaixo são recursos de comunicação sugeridos pelo autor. Não dependem de nomes especiais no prompt. Seu efeito deve ser avaliado na tarefa, sem prometer ativação de mecanismos internos ou transferência automática de competências.
| ID | Técnica | Frase aplicável à VNP | Tornar verificável |
|---|---|---|---|
| N01 | Instrução Narrativa Orientada a Metas, Storydriven Goal | A equipe precisa revisar a proposta antes de decidir; seu trabalho é deixar as mudanças fáceis de conferir | Informar qual artefato ajudará a pessoa a decidir |
| N02 | Decomposição Discursiva, adaptação de CoT guiada | Primeiro confira as versões; depois compare; se faltar uma delas, peça o arquivo antes de continuar | Descrever etapas e dependências, não um monólogo interno |
| N03 | Analogias Funcionais | Trabalhe como um revisor que só registra um achado quando consegue apontar o trecho de apoio | Traduzir a analogia em comportamento concreto e limite |
| N04 | Contraste de Cenários | Uma boa entrega marca a cláusula ausente; uma entrega inadequada a completa com uma versão de outro caso | Fornecer exemplo positivo e erro a evitar |
| N05 | Ancoragem de Critérios de Satisfação | Terminou quando o responsável consegue localizar a origem de cada diferença e saber o que ainda precisa decidir | Usar os quatro temas, fontes e pendências como critérios, não só sensação de clareza |
| N06 | Autorreflexão Conversacional, Self-Correction Prompting | Antes de avançar, confira se os dados respondem ao pedido; informe apenas a correção e a pendência que restar | Comparar com a fonte e limitar a revisão; não pedir voz interna |
Narrativa dá propósito, não licença para alongar o pedido. Analogia ajuda a comunicar uma expectativa, mas não substitui explicitar fontes, escopo, prazo de parada e autoridade de aprovação.
O mesmo contrato de trabalho em prosa e em estrutura
A seção 5.11 apresenta um prompt completo em linguagem natural e sua versão estruturada para o Cowork. O exercício é localizar, nos dois, resultado, fontes, autonomia, condições de erro, limite de tentativas, revisão, aprovação e término. Não exigir que os participantes memorizem IF, WHILE ou nomes das técnicas.
A equivalência é pedagógica e de obrigações descritas. O desempenho no produto precisa ser comparado com as mesmas entradas em contextos separados; não está homologado por equivalência de texto.

